Domingo, Fevereiro 25, 2007

 

(("Blá blá blá entre aspas"))

FRASE DA SEMANA

“Acuados pela violência, os brasileiros só acreditam na lei da selva e estão corroídos pelo medo”
[Manchete estampada no jornal alemão Der Tagesspiegel. A reportagem do periódico falava sobre a violência no Rio de Janeiro]


MAIS BLÁ BLÁ BLÁ

“Não posso crer que a senhora tenha me perguntado isso. Este é um programa respeitável. Tenha vergonha”
[Hugh Grant, ator, que se ofendeu ao ouvir a seguinte pergunta em um programa da BBC: “Você pretende casar-se neste ano, como fez a sua ex-namorada, Liz Hurley?]”


“Ansiedade não é estresse. Um é a sensação de que não dá para fazer nada. A outra, de que há muito a fazer”
[Max Gehringer, comentarista corporativo e autor de sete livros sobre o mundo empresarial]


CORREDOR UNIVERSITÁRIO

“Passou um Tsunami pela minha vida e GRAURRRRRR”
[Universitária contando a amigos o fim de seu namoro, ocorrido no período de férias]

 

((Mídia em Pauta))

Trecho de entrevista concedida por Fernando Jorge à seção Mìdia em Pauta, do jornal Correio Paulistano, agora pode ser lida no site do premiado jornalista e escritor.

Para ter acesso ao conteúdo, basta acessar http://www.fernandojorge.moonfruit.com/ e clicar no ícone Entrevistas.

Leia pequeno trecho da introdução:

"Por trás dos grandes óculos de grossas lentes está uma mente que aos 67 anos de vida se agita como se tivesse vinte Primaveras. Fernando Pedro Alves Jorge é um polemista [articulista que se dispõe a travar grandes duelos através de textos]. E neste jornalismo atual, tão sem notáveis defensores de idéias, tão cheio de “gramaticidas” [segundo Fernando, assassinos da gramática], ele é mesmo um sobrevivente" [LEIA MAIS]

 

Enquete SOGRIPA

O SOGRIPA perguntou:

Você acha o Carnaval uma festa imoral?

87,5% Sim

12,5% Não

0% Carnaval? Estou de Ressaca

Total de votos: 8


Terça-feira, Fevereiro 20, 2007

 

((Conversinha de criança))

FOLIA

- Mãe, o que é isso?

O menino tinha seis anos e, ao ligar a TV, deparou-se com um desfile de Carnaval. Enquanto o samba se espalhava em meio a mulheres seminuas cobertas com pouquíssimo pano e muita purpurina, o narrador exaltava a beleza da mulher brasileira e a comentarista falava da evolução da bateria.

- Er, bem, é que ... Filho! Desligue essa TV! – ordenou a mãe aflita.
- Mas, mãe! Aquela ali é a Ritinha?

Era só que faltava acontecer. Para piorar ainda mais a situação constrangedora, a escola da Ritinha, manicura da Vila, estava no auge do desfile. Câmeras, flashes, comentários entusiastas, nada nem ninguém deixava de registrar o samba no pé [e por todo o corpo] da rainha da bateria que fazia sucesso. A Ritinha vivia seu momento de glória.

- Filho, isso aí não é coisa para criança! Desligue, senão eu vou aí e...
- Mãe! A roupa da Ritinha caiu!

Foi um frenesi. A mãe correu, tropeçou no fio do ferro, fez desabar a tábua da roupa, chutou involuntariamente a bacia de água, molhou todo o carpete novo, bateu com o dedinho do pé direito na quina da mesinha de centro, gritou de dor e, finalmente, alcançou o controle da TV e desligou aquela pouca vergonha que contaminava os olhinhos ingênuos de seu filho.

- Arf, Arf, Arf. Filho, não quero que ligue essa TV até quarta-feira, entendeu?
- Entendi, mamãe!
- Então, combinado?
- Combinado... – respondeu ele, obediente.

A mãe voltava a seus afazeres mancando e já contabilizava os prejuízos dos acidentes causados quando ouve a voz do filho, doce e pedinte:

- Mãe?
- Fala, filho...
- Estou com peninha da Ritinha... É que a roupa dela caiu e ficou...

Poft! A mãe desmaiou. Perdera a guerra. A TV é sempre eficiente na hora de ensinar indecências e causar grandes impactos...

 

((Rascunhos Paulistanos))

FANTASIAS DE CARNAVAL

Tem coisa que só acontece no Carnaval. Teve um baile, por exemplo, em que o Peter Pan, surpreendentemente, perdeu feio para o Capitão Gancho. É que a famosa Sininho, a fada que, como diz a lenda, é apaixonada pelo herói, se engraçou com o pirata. Tanto Sininho quanto Gancho, claro, eram dois fantasiados. Esbarraram-se na festa e começaram um casinho. Mas o Peter Pan, também fantasiado, na vida real era o esposo da fadinha de mentira. Após o ocorrido, Pan quis o divórcio. Dizem que ele saiu de casa apenas com a roupa do corpo e não voltou para a Terra do Nunca, como era de se imaginar. Peter Pan se chama Aparício e voltou a morar com a mãe, que nunca gostou da nora. [LEIA MAIS]

Fábio Pereira é cronista e escreve semanalmente para a coluna Rascunhos Paulistanos, do jornal Itaquera em Notícias.

 

((Mídia em Pauta))

OUÇA QUE É BOM

Programa Falando Francamente [Rádio Trianon, 740 AM], de segunda a sexta, a partir das 18h30, com apresentação de Raul Jafet, e, aos sábados, a partir das 13h, com as presenças de David Neto e Samir Achoa. No programa, debates das notícias mais polêmicas, sempre contando com a participação do público.

ASSISTA QUE É BOM

Programa Quebrando a Banca [Canal 9 NET / 72 ou 99 da TVA], todas as quartas-feiras, às 22h30, apresentação de Raul Jafet e que conta com convidados conceituados, como, por exemplo, o premiado escritor e jornalista Fernando Jorge. No programa, um bate-papo sobre assuntos gerais em frente a uma banca de jornal [paraíso de cultura, informação e entretenimento], leva o telespectador a desenvolver o senso crítico e a se informar sobre assuntos importantes.

 

(("blablablá entre aspas"))

FRASES DA SEMANA

“Eu gosto de Carnaval porque é uma festa em que todos se fantasiam, ficam diferentes, fazem coisas que fogem do dia-a-dia”
[De Flávia Grunwald, 14 anos, estudante]

Só gosto porque não tenho aulas. Samba, pagode, desfiles, essas coisas, nada disso faz meu estilo”
[Karen Kasamatsu, 16 anos, também estudante, e que não gosta do Carnaval]


MAIS BLÁ BLÁ BLÁ


“Vou estudar para ser advogada. Quero defender o pessoal do circo. Vou ajudar o meu povo”
[Ingrid, 9 anos, trapezista do Circo Moscou, em São Paulo, que foi alvo de protesto realizado por ativistas em defesa dos animais. O circo alega que cria os bichos, mas não os utiliza nos espetáculos, já que lei municipal proíbe. Com o protesto em frente ao circo, o número de expectadores foi abaixo da expectativa]

“Como maltratados? Eles são cuidados com tudo do bom e do melhor. Os animais recebem mais atenção do que nossas próprias mulheres”
[Charleston Monteiro, um dos donos do Circo Moscou, indignado com as acusações de que os animais de seu circo não recebem os cuidados adequados]

“Há duas espécies de livros: uns que os leitores esgotam, outros que esgotam os leitores”
[Mario Quintana, poeta gaúcho]

 

Enquete Sogripa

O SOGRIPA perguntou:

Com qual dos conteúdos oferecidos pelo SOGRIPA você mais se identifica?

Notícias

“Aspas da Semana”

50% Mídia em Pauta

50% Literatura

Não sei. Acessei por engano!

Total de votos: 4

Quarta-feira, Fevereiro 14, 2007

 

((Bate-papo com o leitor))

Achei o comentário do leitor “Anônimo”, datado de 13 de fevereiro de 2007, na mensagem “Homens: todos uns trastes?”, interessante. Gostaria de comentar.

Concordo plenamente com você. As mulheres hoje matam baratas, trocam lâmpadas, abrem vidros de azeitona (!) e, mais, muito mais. Muita gente não sabe, mas, aqui no Brasil, mulheres pilotam até caças da Força Aérea Brasileira, o que não acontece em muitos países.

Independentes, elas bancam o próprio guarda-roupa, quaisquer outros tipos de mimos que sempre gostaram [bombons, livros, anéis etc.] e são práticas, auto-suficientes, donas de si.

Na pós-modernidade, elas criam filhos, trabalham fora e dentro de casa, reivindicam direitos, conquistam espaços, elegem-se presidentes [logo vamos popularizar o termo “presidenta”, com o maior orgulho], tomam decisões sozinhas, sustentam a família e... ufa! continuam sendo belas, graciosas, cheias de fôlego, divinas. Femininas.

Penso, igualmente ao “Anônimo”, que os homens, em sua imensa maioria, não merecem mesmo o amor das mulheres. Ingênuos, acreditam que dominam o mundo, que são valentes e ferozes, que não dependem de nada nem ninguém. Tolos. Agindo com tamanha leviandade, trucidam as pequenas chances que têm de serem ideais, boa companhia, [como deveriam ser] para as mulheres.

Julguei sábias estas palavras do leitor [ou devo mencionar leitora?] “Anônimo”: “Relacionamentos, namoros etc, não têm nada a ver com precisar de alguém para trocar pneu”.

Isso! Perfeito! Não tem mesmo! Amor é cumplicidade, é abandonar importâncias pelo outro, é doação, é estar lado a lado... É algo que transcende. Por isso, inventou-se o abridor de latas e instruiu-se o mecânico, o técnico de geladeira, o encanador para o chuveiro. Casamento, namoro é cumplicidade. Palmas para o homem que sabe ser companheiro, amigo, amante.

Fiz questão de colocar no texto “Homens: todos uns trastes?”, o seguinte comentário: “Com tantas roupas e nenhum homem, como as mulheres vão matar baratas, trocar lâmpadas e abrir vidros de azeitona?”

Com tal observação, eu buscava a ironia, queria comentários iguais ao deste [ou desta] leitor. Eu queria reflexão, pois o homem hoje, intimamente, se reduz a mero abridor disto, trocador daquilo e esquece de ser marido, pai, metade da sua esposa/noiva/namorada eleita.

Fico feliz pelo seu comentário inteligente, “Anônimo”.

Fábio Pereira
Editor SOGRIPA

Domingo, Fevereiro 11, 2007

 

((Homens: Todos uns trastes?))

A empresa Unilever entrevistou mil mulheres nas dez maiores cidades dos Estados Unidos e descobriu que para 61% delas seria mais traumático perder uma peça de roupa favorita do que ficar um mês sem as carícias e afagos de seus respectivos maridos. A maioria das mulheres também garantiu que estenderia a abstinência por 15 meses caso fosse garantido a elas, findo o período de seca amorosa, um armário repleto de roupas novas.

Para terminar [com a notícia e também com a moral dos homens], 70% das entrevistadas disseram que amor à primeira vista só existe mesmo entre elas e saias, blusas ou sapatos expostos nas vitrines. Vai entender as mulheres...

Curiosidade: Com tantas roupas e nenhum homem, como as mulheres vão matar baratas, trocar lâmpadas e abrir vidros de azeitona?

 

(("Bá blá blá entre aspas"))

FRASES DA SEMANA

“Eu, aqui de público, entendo que a indignação me levou a cometer excessos e peço até desculpas pelo excesso, e não pela indignação”
[Do indignado prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, que, aos empurrões e berros de ´Fora! Vagabundo´, expulsou o fabricante de placas Kaiser Paiva de um posto de saúde, por ele reclamar da nova lei que restringe outdoors na cidade]

“Aceito as desculpas dele. Sou de paz”
[Kaiser Paiva, empresário, perdoando o prefeito Kassab, que o chamou de vagabundo´´]

 

((Atendendo a pedidos))




A lua pairava brilhante no céu e a brisa suspirava músicas apaixonantes. A sinfonia do vento levantava a cortina, invadia alcova e ia afagar os rostos de dois apaixonados. O casal, em um beijo lento e sem fim, já não sentia o tocar de seus lábios. Agora, amantes incendiados, tinham sensação de encostar as suas bocas nos açucares dos anjos, no mel da vida, tamanho era o gosto de amor que trocavam em cada delicioso estalido.

Estavam ali há horas. Ele recitara poemas romanticamente decorados. Ela e seu suspirar já eram mil rimas poéticas. Ambos guardavam na mente todos os traços e linhas do corpo um do outro. Entre uma curva e outra, uma perna e um ombro, perdiam e se encontravam naquela estrada alvoroçada que era o ser amado. Ele, braços quentes, cingia aquele corpo recolhido. Ela, sentindo-se protegida, já mordia o fruto do sono, colhido no jardim tranqüilo da paz infinita. Adormeceram.

Quando chegou a manhã e o sol foi tecer sua renda luminosa, ela despertou feliz. Afinal, percebeu que a noite passada não tinha sido sonho, simples quadro de ilusão que só a febre incessante sabe pintar com as suas cores enganosas. Não! A noite que passou tinha sido verdade! Verdade com todas as forças.

Ela sorriu, bailou ainda deitada, porque bailava com a alma satisfeita e incontida. Beijou a mão daquele que tanto amava, fechou os olhos bem devagar e quis dormir. De repente, a Eternidade decidiu que aquele momento duraria para sempre. O resto não fazia sentido. O Tempo estacou, nada mais no mundo aconteceu. Aquele casal nunca mais acordou, nunca mais viveu outro momento que não aquele, de amor extremo e sincero.

P.S. Alguns leitores observaram que os textos literários do SOGRIPA, quando falavam de amor, tinham mais desfechos tristes que alegres. Eis,então, um desfecho feliz. Aqui, quem manda é o leitor!

Foto: Ian Britton - ww.freefoto.com

 

((Rascunhos Paulistanos))

CARRO BRASÍLIA, ANO 1974

Quem passasse em frente àquela garagem não poderia negar: o Brasília do Seu Antonio, veículo adquirido em sua juventude, a custa de muitas horas extras de trabalho, estava mesmo precisando ser trocado. O pára-brisa era todo arranhaduras, os pneus se firmavam no chão arriados e sambavam ao menor sinal de movimento. Já a ferrugem, funesta, mastigava sem dó toda a lataria. Mas, falassem o que quisessem, Seu Antonio não vendia, trocava nem se desfazia do carrinho. [LEIA MAIS]

Fábio Pereira, até esta semana, escrevia quinzenalmente para a coluna Rascunhos Paulistanos, do jornal Itaquera em Notícias . A partir de agora, sua colaboração será semanal.

 

Enquete SOGRIPA

O SOGRIPA perguntou

Recentemente, o presidente Lula falou que neste ano de 2007 a economia brasileira “ou vai, ou racha”. Qual a sua opinião sobre o crescimento do País este ano?

16,66% Agora vai

16,66% Agora racha

66,66% Já rachou faz tempo

Total: 6 votos

Crie a sua própria enquete. Acesse: www.perguntando.com.br

Sábado, Fevereiro 03, 2007

 

(( O dono da Brasília))



Antonio Pedro de Carvalho, 69 anos, aparentemente não é mais do que um aposentado comum. Negro, cabelos bem baixos, rosto enrugado, ele mora em Marsilac, região periférica da cidade de São Paulo. Gente comum, que anda, come, dorme e deve gostar de assistir a TV. Ah, e Seu Antonio tem também uma Brasília, cor marrom, ano 1974.

Até aí, Seu Antonio não é notícia. Não merece destaque em nenhum meio de comunicação. Vocês é que pensam... Seu Antonio é quem socorre todos os doentes da região em que mora. Por falta de estrutura do poder público, no bairro onde Seu Antonio e mais 15 mil pessoas moram, dificilmente tem ambulância disponível. “Corro muito, meto a mão na buzina, corto caminho, mas nunca deixei de socorrer quem quer que fosse que bateu na minha porta”, diz ele.

E sempre dá tempo de chegar no Hospital, Seu Antonio? Ele responde que não. Certa vez, uma paciente esperou três horas pela ambulância. Não veio. Foram correndo chamar Seu Antonio, que prontamente atendeu ao chamado. Mas não deu tempo. A vítima, que era uma criança, morreu. Seu Antonio desabafa: “Me deu uma tristeza”.

Uma última dúvida: o ano da Brasília é 74, mais de trinta anos. Ela anda bem, Seu Antonio? Nunca deixou ninguém na mão? Além do mais, as ruas do seu bairro são cheias de buracos e terra, não é mesmo? Ele responde que nunca teve problemas mecânicos, e esclarece o motivo: “É que faço com boa vontade”.

É justamente boa vontade que falta aos governantes, Seu Antonio.


[Texto redigido por Fábio Pereira beseado em reportagem publicada no Jornal da Tarde, em 30 de janeiro de 2007, p. 3A – Cidade]


Foto: Ian Briton - www.freefoto.com

 

(("Blá blá blá entre aspas"))

A MELHOR DA SEMANA

“Agora, ou vai, ou racha”
[Presidente Lula, sobre a economia brasileira neste ano de 2007]


MAIS BLÁ BLÁ BLÁ

“Cada louco com a sua mania”
[Ênio Tatto, líder da bancada do PT na Assembléia de SP, ironizando a licitação aprovada pelo presidente da Casa, Rodrigo Garcia, para comprar três patinetes motorizadas no valor de R$ 24 mil cada. O motivo? Os policias poderão fazer rondas dentro da Assembléia de maneira mais veloz]

“Nunca tive documentos, mas pelas minhas contas, tenho 96 anos”
[Zé Pernambuco, ex-cangaceiro e cunhado de Lampião]

“ A felicidade é como uma gota de orvalho numa pétala de flor. Primeiro dorme tranquila, depois de débil oscila e cai como uma lágrima de amor”
[Música de Tom Jobim e Vinicius de Moraes. Faz 80 anos que o Brasil perdeu o mestre da música, Tom Jobim]

 

((Dois menos um))



O olhar dela está vago e reflete a profundidade do infinito. Ele, cabisbaixo, olhos fitos no chão, queixo enterrado no próprio peito, imagina, supõe, milhões de pensamentos sem início nem fim lógicos. Ambos estão frente a frente. Se o tempo voltasse duas semanas, um mês [uma vida?], estariam os dois sorridentes, mãozinhas dadas, beijinhos daqui e risinhos cúmplices e confidências dali. Mas agora estão se desfazendo. O casal, a vida unificada, neste exato instante, esfarela. O romance está terminando.

Ele nem lembrava mais o que era sentir medo. Ela suspira em soluços. Ele enlaça a cintura da menina, que mais e mais vai se afastando. Os dedos dele parecem gritar, antever a ruptura. A saia dela farfalha lenta e tristonha, porque nunca mais vai rodopiar feliz em uma dança com o par que ele era. O choro do rapaz borbulha, mas não aparece: uma única lágrima, travessa, insiste em escapulir e mergulhar em sua barba. A cintura dela está cada vez mais distante.

Ele, zeloso, quebra a inação: beija a testa da menina. Ela, rompendo o silêncio, começa um ronronar choroso. O rapaz diz que a ama, bem baixinho, sem forças, sabendo que essa é a sua última fagulha de esperança. Fagulha esta que não incendeia. A cintura da menina se liberta, corre, dobra a primeira esquina, para nunca mais voltar.

Foto: Ian Briton - www.freefoto.com

 

Enquete SOGRIPA

O SOGRIPA perguntou:

Você acha que o YouTube tem muitos vídeos de conteúdo reprovável?

50% Sim

25% Não

25% É só não ter praia

Total de votos: 8

Crie a sua própria enquete. Acesse: www.perguntando.com.br

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